A UFAL - Unidade Palmeira dos Índios, através da Comissão de Eventos, Cultura e Formação realizou no dia 18 de Maio o evento “Como pensar o autismo no século XXI?”. O evento se deu através de uma roda de conversa sobre o TEA – Transtorno do Espectro Autista, tendo como base a teoria psicanalítica lacaniana.
Os palestrantes foram os psicólogos Ellis Roberta Duarte Platero e Januário Marques de Lima Neto, que proporcionaram um momento de muita riqueza e troca de experiências. Fizeram ainda um apanhado histórico da psicanálise, abordando sua trajetória, bem como trazendo as questões políticas e críticas sobre o autismo.
Em suas práticas profissionais pautadas na escola de orientação lacaniana, os palestrantes ressaltaram como é essencial que se escute o autista em suas diversas formas de comunicação, que nem sempre é verbal, pois todos têm algo a dizer; há um corpo que fala, há uma voz que pode não ser uma enunciação. Ou seja, pode não estar sendo feita na tentativa de se comunicar, de forma que há um gozo na voz do autista que eles não querem abrir mão, e essa voz está presente, não é delirante (como na esquizofrenia, por exemplo). Em seguida, afirmaram que “o autista é mestre de sua própria linguagem”, mas isso não os liga necessariamente ao campo social. É importante que haja lugar para as construções particulares de cada um, pois é a partir disso que o trabalho será desenvolvido. Assim sendo, é imprescindível escutar e perceber o que eles estão apresentando.
Com relação ao famoso objeto, afirmam que o mesmo é essencial para o tratamento, que a partir dele é possível fazer algumas construções e que a retirada do mesmo pode gerar situações desastrosas, na medida em que quando não se tem o objeto, o sintoma vai para o corpo, sendo o próprio objeto um apaziguador dessa angústia. Uma porta entre a solidão e o nosso campo. No entanto, é possível fazer um deslocamento desse objeto que se dará sob transferência e em tratamento no tempo do próprio sujeito.
Os palestrantes ainda fizeram apontamentos acerca das críticas, desconstruindo conceitos equivocados; trouxeram reflexões sobre a era da medicalização, afirmando que, nos dias de hoje, pouco se fala e muito se medica, fazendo com que o lugar da fala se perca. Por fim, muitas experiências foram relatadas e houve uma troca rica de saberes e vivências, onde ficou explícito o quanto é importante conhecer sobre o autismo, suas implicações e adotar práticas de cuidado que não limitem o sujeito, mas que os ajudem a se desenvolver.
Ellis e Januário são psicanalistas praticantes e coordenam, juntos, a atividade Psicanálise e Autismo, que funciona uma quinta por mês, em Maceió. Quem se interessar, pode entrar em contato com ambos para participar e/ou conhecer melhor. Para mais informações entrar em contato pelo e-mail: rumaebp@gmail.com.
Também convidam a todos e todas a participarem das transmissões da Escola Brasileira De Psicanálise – Seção PE, que ocorre em Recife – PE. Vale salientar que há transporte saindo de Maceió.
Matéria:
Repórter: Handryelly Lima, 6º período / Colaboração: Lívia Monielly, 7º período / Editora: Elys Lavínia, 6° período / Revisor: Lucas Rodrigues, 4º período / Editora – chefe: Haída Ramalho, 6º período / Fotógrafa colaboradora: Aryana Lorrayne, 7º período.
Quer comentar nesse post? (Clique aqui)
Quer ver mais posts? Visite nosso blog (clique aqui).










0 comentários:
Postar um comentário