CA DESTACA NOTA DE ESCLARECIMENTO

  


      A estrutura comumente existente em espaços educacionais põe os estudantes sempre como agentes passivos, não só do processo educacional, mas também de toda a autoridade que a figura de um professor representa nesses ambientes. É importante colocar que defendemos, acima de qualquer coisa, o respeito no âmbito universitário a todos os funcionários e estudantes, independentemente daquilo que os difere. Porém, o ato de respeitar, em algumas compreensões, parece ser algo que deve partir apenas daqueles que estão em setores mais abaixo na hierarquia institucional, não cabendo aos superiores tal qualidade. E por essa autoridade que lhes é socialmente oferecida, alguns acabam por colocar seus estudantes em situações desconfortáveis, que geram sofrimento psicológico e sensação de não pertença a este ambiente.
Nós, deste Centro Acadêmico, enquanto representação estudantil e também enquanto estudantes estivemos, estamos e estaremos sempre dispostos e de portas abertas para acolher qualquer membro do corpo discente que sentir-se submetido a práticas antiéticas e agressivas resultantes desta estrutura hierárquica. E assim tem-se feito.
Na UFAL Palmeira dos Índios há uma forte cultura do silêncio, onde os que sofrem não sentem-se confortáveis e seguros o suficiente para falar e aqueles que sabem dos ocorridos sentem-se de mãos atadas, e as situações desagraveis se perpetuam, estudante após estudante, turma após turma, sem que os estudantes tenham voz e os problemas sejam sanados.
O silêncio gera questionamentos e equívocos quanto aos ocorridos; gera dúvidas que podem ser agravadoras dos sofrimentos psicológicos das pessoas. A partir da estrutura hierárquica, as dúvidas tendem a pesar para os estudantes vítimas de situações de assédio, afinal de contas, entende-se que a situação é resumida à palavra deles contra a dos professores. Fofocas surgem e, como sempre, contam o lado dominante dos acontecimentos como temos visto acontecer por toda a história, enfraquecendo e empurrando, mais uma vez, grupos minoritários à sua situação de passividade e lançando-os aos porões dos fatos.
No período passado, uma turma do curso de Psicologia passou por uma situação pedagógica que gerou severos transtornos, não só na turma enquanto um grupo, mas na comunidade acadêmica como um todo. Situações pedagógicas são, comumente, resolvidas pelo Colegiado do Curso. Em situações anteriores, estudantes buscaram esta instância e conseguiram, de forma dialógica, saná-las.
    Este episódio ocorrido no último período, infelizmente, não foi um desses casos. Não houve condições de um diálogo a partir das instâncias responsáveis e o grupo prossegue, até o presente momento, trilhando um caminho árduo e exaustivo para que seu sofrimento psicológico resultante de práticas pedagógicas antiéticas seja reconhecido e para que os problemas sejam resolvidos de forma a não expô-los novamente a situações desgastantes. Mas temos visto, neste caminho, os estudantes tendo de carregar cada vez mais o peso resultante de uma “autonomia” desregulada.
Evitaremos entrar em termos diretos por razões óbvias, mas esclarecemos o seguinte: todas as ações que estão sendo tomadas e todo esse caminho trilhado tem sido feito de forma institucional, buscando sempre instâncias responsáveis de nossa Universidade. Ressaltamos que a busca incessante do grupo de estudantes se trata exclusivamente de uma situação pedagógica, não tendo envolvimento com aspectos da vida pessoal de nenhuma das partes.
É uma busca pela educação horizontal, dialógica, não pautada em uma hierarquia incisiva que gera cada vez mais situações desoladoras aos estudantes universitários. É uma luta de todos nós, enquanto estudantes, pela Universidade livre de assédios que nós queremos. É a resistência dos estudantes enquanto coletivo, por nunca sabemos de onde novos assédios podem surgir e quem serão as próximas vítimas. É, além de tudo isso, um pedido por empatia ao sofrimento alheio.

0 comentários:

Postar um comentário