SAÚDE MENTAL E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

(reprodução/internet)




Não há uma fórmula mágica para se ter saúde mental, tampouco uma definição preestabelecida de seu significado. Isso se dá em respeito à subjetividade humana e as diferenças culturais e ideológicas que vão além de definições padronizadas de bem estar individual ou coletivo. O que se pode afirmar, entretanto, é que ter saúde mental é ter um bom estado psicológico e emocional, ser mentalmente estável, equilibrado, resiliente. Entende-se que uma pessoa mentalmente saudável, embora possa viver diversas emoções em seu dia a dia – alegria, tristeza, raiva, medo, frustração, amor –, estará apta para reagir e lidar com cada uma dessas emoções de uma maneira saudável e, não se sentindo apta, procurará ajuda e meios para estar bem e em harmonia consigo.
O Psicólogo Daniel Goleman, PhD pela Universidade de Harvard,atenta para a importânciada inteligência emocional. Para ele, ser inteligente emocionalmente é ter a capacidade de identificar e gerenciar as próprias emoções, ter autocontrole, zelo, persistência e capacidade de automotivação. Goleman afirma que a inteligência emocional é a chave para o sucesso e a qualidade de vida – principalmente nos dias atuais onde os índices de estresse, depressão e ansiedade têm aumentado. Indo além de quaisquer especulações ou resultados de testes de quoeficiente de inteligência que podem fadar pessoas ao fracasso, Goleman ressalta que o futuro de um indivíduo não deve ser determinado por suas capacidades intelectuais e que, embora algumas características sejam herdadas geneticamente, todas as pessoas dispõem de circuitos cerebrais maleáveis que podem ser trabalhados a fim de alcançar melhorias. Goleman aponta o fator emocional como o verdadeiro provedor da inteligência e justifica fracassos e derrotas pela ausência de habilidades emocionais.
Mas qual a relação da saúde mental com a inteligência emocional? É simples: a inteligência emocional afeta diretamente a saúde mental, tanto quanto afeta sua saúde física, suas relações pessoais, seu rendimento, seu sono. Diante de pequenos ou grandes estresses, o corpo sempre responde de alguma forma, seja externamente através da alteração na voz, discussão ou até mesmo agressão, seja apenas internamente, com o aumento da liberação de hormônios como o cortisol, aceleramento cardíaco, tensão muscular. A falta de habilidades para gerenciar emoções como o estresse e o medo, por exemplo, pode atingir a saúde mental do indivíduo causando alterações de humor e possibilitando o desenvolvimento de transtornos como ansiedade e depressão, tornando-o vulnerável e até mesmo incapaz de manter relacionamentos saudáveis.
No âmbito acadêmico as coisas parecem piorar. A saúde mental precisa estar em pauta nas universidades! Indiscutivelmente carregada de obrigações, pressão psicológica e regularmente apontada como causadora da privação de sono, lazer e socialização, a universidade é um ambiente que pode ser provedor de adoecimento psíquico. O índice de depressão e ansiedade dentro das universidades é superior à média da população geral. Além da excessiva carga de trabalhos, diversos outros fatores são apontados como causadores de adoecimento, como dificuldades financeiras, problemas de adaptação a uma cidade nova ou até mesmo ao próprio ambiente universitário. Tais dificuldades podem comprometer o rendimento do aluno, atingindo suas capacidades cognitivas e causando danos psicológicos e às vezes até físicos.

Diante do agravamento do quadro de adoecimento psíquico nas universidades é necessário pensar em alternativas que possam reverter esses números e possam atender os estudantes em caso de sofrimento, mostrando-lhes meios de se obter ajuda, bem como pensar em medidas preventivas e necessárias de criação de vínculos e pertencimento para acolher os estudantes, fazendo-os assim se sentirem parte da universidade.
O pertencimento é um fator decisivo na permanência em ambientes e, nesse sentido, pesa muito na relação social e formação de identidade, principalmente no que diz respeito a um aluno em uma instituição de ensino, que por si só já é bastante carregada de obrigações e pressão psicológica. É importante que os alunos sejam acolhidos, mas que sejam também ativos e participativos na universidade a fim de conhecerem seus direitos e deveres e colaborarem na promoção da interação, afetividade, pertencimento e consequentemente na promoção da saúde mental.
Dentre as práticas que promovem a saúde e o bem estar para além dos muros da universidade estão a prática de exercícios físicos, a boa alimentação e hidratação, o lazer e a boa qualidade do sono. Os níveis de estresse podem aumentar e o rendimento cognitivo pode ficar comprometido e cair drasticamente se o relógio biológico estiver bagunçado, por isso é importante se atentar aos horários, se necessário elaborar cronogramas e fazer o possível para deixar as matérias em dia, sempre estando atento especialmente para a quantidade de tempo necessária – oito horas em média – para se ter uma boa qualidade de sono.
No mês de janeiro tem sido realizada a Campanha Janeiro Branco que tem o intuito de propagar a importância da saúde mental convidando as pessoas a refletirem sobre suas vidas, seus relacionamentos, emoções, pensamentos, comportamentos e o quanto elas conhecem a si mesmas. O objetivo da campanha é sensibilizar as pessoas, as mídias e as instituições sobre a urgência da necessidade da prevenção do adoecimento emocional, incentivando o aprimoramento das relações, a realização de projetos estratégicos e políticas públicas, bem como espaços e iniciativas socioculturais que valorizem e atendam as demandas relacionadas à saúde mental. A campanha defende que não há sofrimento que não possa ser prevenido e que através da psicoeducação e por amor à humanidade, senso de responsabilidade social, dever profissional e solidariedade, nasceu o Janeiro Branco.
Na UFAL – Unidade Educacional de Palmeira dos Índios, os alunos também podem contar com o apoio da Clínica Escola de Psicologia para acompanhamento psicológico. Em caso de queixas, denúncias, sugestões ou outras causas que estejam relacionadas à saúde mental e que se julgue necessárias ser tratadas, qualquer aluno pode recorrer ao Centro Acadêmico Afonso Lisboa para obter informações e/ou ajuda ou pode ainda se dirigir diretamente à Coordenação do Curso. Ser emocionalmente inteligente e detentor de uma boa saúde mental se trata principalmente de ter autoconhecimento e saber procurar ajuda quando necessário. Não silencie.

Indicação: Livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman.


Repórter - Handrielly Lima



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