O EREP foi idealizado a partir da movimentação de estudantes nortistas e nordestinos de Psicologia com o intuito de discutir principalmente as realidades locais, propiciando um espaço para tratar de questões culturais, políticas, sociais, econômicas e acadêmicas através de encontros anuais, tendo percorrido diversos estados, dentre eles Paraíba, Pará, Pernambuco, Rondônia, Ceará, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte e agora Alagoas.
Com uma programação repleta de oportunidades de aprendizados multidisciplinares, o foco da XII edição do EREP em Alagoas foi dialogar sobre as questões raciais, fazendo jus a realidade das regiões do Norte e Nordeste, especialmente em Alagoas, trazendo para o encontro os estudantes de Psicologia e de diversas outras áreas, bem como movimentos sociais e culturais comprometidos com a pauta.
Na ocasião, visou-se estimular reflexões e afetações sobre as questões raciais e sua historicidade, ressaltando a construção social brasileira; estratégias de aproximação e diálogo entre os estudantes de Psicologia de Alagoas e os movimentos sociais também foram discutidas. Os diálogos tiveram a negritude como tema central, trazendo à tona diversas questões como gênero, sexualidade, classe, corpos, saberes, territórios e etc.
Larissa Ariane Lima do Nascimento é estudante do 7º período de Psicologia na UFAL, campus A. C. Simões, faz parte do Coletivo Organizador do Encontro Regional de Estudantes de Psicologia Norte-Nordeste (COEREP E/NE) e nos responde:
Como foi a experiência de sediar o EREP em Alagoas?
Acho que a experiência de sediar o EREP em Alagoas foi riquíssima do começo ao fim. O que não significa que foi extremamente tranquilo e fácil de fazer, não foi. Foram muitos aprendizados e hoje em dia eu acho que toda a comissão pode dizer que aprendeu muito, mas antes do aprendizado a gente sempre tem uma guerra, né, pra travar, muitas batalhas aconteceram. Foram muitas idas e vindas, mas foi uma experiência que eu recomendo a qualquer graduando, a qualquer graduanda, que se puder organizar um evento assim de médio porte como é o Encontro Regional de Estudantes de Psicologia, ou seja qualquer outro encontro, que sedie, que organize, que participe, porque eu acho que faz parte da nossa formação atividades de gestão, que a gente consiga administrar as coisas que é onde a gente vê os princípios e enfim, conceitos que a gente aprende sendo executados pelas nossas próprias mãos. É realmente incrível!
O que ficou de aprendizado desta edição?
Acho que o que fica de aprendizado nessa edição que nós conversamos sobre o racismo em Alagoas é que esse é um tema que tende a ser muito difícil de conversar nos próximos anos, mas que é uma questão urgente. Acho que existem dentro da Psicologia algumas pessoas dispostas a conversar e outras nem tanto. E acho que o maior aprendizado dessa edição é que nós entendemos como o racismo estrutura a nossa sociedade, mas ainda nos perdemos na sutileza que ele aparece nas relações e talvez essa seja uma missão para a Psicologia nos próximos anos, enfim, na próxima geração da Psicologia, que é conseguir pensar e articular, criar instrumentos que consigam de fato chegar na questão de como o racismo pode ser sutil e como o racismo é presente no relacionamento entre as pessoas e na relação conosco mesmo.
Qual a importância do EREP para os acadêmicos de Psicologia?
Acredito que a importância do EREP pra formação em Psicologia é de que nós temos nas nossas diretrizes nacionais e curriculares, no Ministério da Educação e também nos Projetos Políticos e Pedagógicos do curso de Psicologia assim como no Código de Ética do psicólogo e da psicóloga, direitos e deveres e também obrigações de dar respostas ou de ser críticos socialmente com o contexto que a gente vai estar inserido na nossa atuação profissional. Então, assim como tem Avaliação Psicológica, Filosofia, Epistemologia, Saúde, enfim, toda a instrumentação que a gente tem, acredito eu que fazer parte do Movimento Estudantil de Psicologia e conseguir pensar a categoria estudantil de Psicologia forma profissionais de Psicologia que também conseguem pensar na nossa própria categoria profissional. E essa é uma deficiência que nós temos hoje enquanto profissionais de Psicologia, de conseguir nos entender enquanto, de fato, uma categoria profissional. E acho que fazer parte do Movimento Estudantil como o EREP, que é um Encontro Regional de Estudantes de Psicologia, nos faz também conseguir elaborar desde a graduação propostas reais que articulam primeiro com a região Nordeste, né, no EREP Nordeste, e no EREP Sul, com propostas que articulem com a região Sul. E acho que a importância do EREP pra formação de Psicologia é conseguir suprir uma demanda de formação crítica, de formação política, que as vezes não atravessa a nossa formação dentro da sala de aula. E eu acho que é um espaço que, mesmo que a gente tivesse isso dentro da sala de aula, é um espaço de compartilhamento de experiências com as pessoas de outros estados.
Onde será a próxima edição?
Nós saímos desse EREP sem saber onde será a próxima edição. Anualmente o Coletivo Organizador do EREP faz três reuniões presenciais e a próxima reunião presencial da COEREP provavelmente será em Aracaju em meados de Fevereiro e/ou Março. Depois dessa reunião presencial que pretende avaliar esta edição do EREP, talvez nós vamos sair dessa reunião presencial com a sede do próximo EREP, mas essa é uma resposta que nós não temos agora. Dos estados que vieram para o EREP esse ano e tiveram interesse em organizar, estão sondando se vão poder organizar ou se não vão poder organizar pra conseguir dar uma resposta na reunião presencial.
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